Wednesday, October 29, 2008

Depressão é coisa séria e mais comum do que imaginamos


" A questão não é julgar a Vida afim de justificar o sorriso ou a lágrima.
Mas sim decidir o que você fará com o seu próximo segundo."

Quando deparei com esta frase parei e me vi pensando em quantas pessoas que conhecia e até eu que já tinham passado por um período de depressão.

Foi pelas mãos da Gabrielle Lopez ( foto, Alice- HBO), atriz que participa do filme , que conheci V.I.D.A..



Feito pelo Geison Ferreira um cineasta apaixonado pelo que faz que montou junto com Ana Maria Saad e Vinicius Zinn o projeto "Pensamentos Filmados", tendo como foco o ser humano, suas sensações e sentimentos; e a forma com que todos nós lidamos com nosso cotidiano, independente de raça, religião, cor ou classe social.

O filme faz uma abordagem sobre a depressão, que segundo a Organização Mundial de Saúde atinge cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo e lista entre as doenças que mais causam possibilidade de perda de vida.

O roteiro foi escrito por Ana Maria Saad, Vinicius Zinn e Ele :
"Durante o processo de filmagens eu participei de grupos de ajuda a depressivos pela internet, e é incrível como cada pessoa lida com a doença de forma diferente. Identificar isto foi essencial, pois o “V.I.D.A.” não trata da questão patológica da depressão, mas sim, de como cada ser humano lida com a doença."diz Geilson, que hoje eu com orgulho posso chamar de meu amigo.

"O mais interessante é que no processo de criação do roteiro descobrimos que muitas pessoas próximas a nós sofrem com a doença, já passaram por algum tratamento ou conhecem algum caso. Como algo tão presente em nossas vidas quase nunca é falado? Por isso o “V.I.D.A.” nasceu para colocar a depressão em pauta." completa ele

Como nada vem sozinho no Blog Lesbosfera também me chega divulgação de um trabalho desenvolvido pela Márcia Regz propondo ajudar gratuitamente Mulheres que amam Mulheres pelo Site Safoterapia, que é também um canal de ajuda na web,para Mulheres que enfrentam dificuldades, que são agravadas quando não podem contar com um ombro amigo, com uma opinião sincera e despida de pré-conceitos.



Bom não pude ficar aparte de projetos que tratam de um assunto tão delicado e tão presente em nossas vidas que precisa ser discutido para que não seja um tabu ( como me declarou o Geilson ) e me propus a divulgar estes projetos em todos os cantos possíveis e que me derem espaço pra isto.

Tambem descobri um Blog Depressão Assassina que fala sobre o tema de uma forma muito boa.
Contando a própria experiência.
relato tirado do Blog : Porques

Agora vem uma fase nova, os porques de ter desenvolvido depressão...
Cada ser humano tem seu mundo íntimo e somente ele pode se admnistrar. A depressão é extamente assim, cada qual tem que aprender a se ouvir para poder viver com qualidade mesmo com a doença. É o que venho buscando e acabo esbarrando no meu passado...
Pois que vou esbarrar nele quantas vezes for preciso até que me sinta em paz e que possa finalmente aproveitar o presente.
Para o futuro gostaria um dia de ver as pessoas encarando a depressão como uma doença assim como uma diabetes, sem tantos preconceitos e tabus, sem fazer dela a Aids do século XXI.


Em Nosso Blog temos um Tópico para declarações , desabafo e histórias de pessoas que passaram pela experiência de "sair do armário".

Tu também podia se juntar a nós.

Links relacionados :
Site Filme V.I.D.A.
Comunidade Filme Vida no Orkut
Cine Players
Safoterapia
Blog Depressão Assassina
Tópico nosso Blog Saída do Armário

Tuesday, October 28, 2008

Pequena Sereia e grandes divagações

Sempre me irritou o destino que teve a pequena Sereia na mídia. Deturparam a mensagem principal dessa delicada história, que de infantil não tem nada. Quero falar de amor, achados e perdidos, porque estou romântica, sensível e afiada hoje. Vamos lá.

O conto é de Hans Cristian Andersen (1805-1875), escritor dinamarquês que NÃO chamou sua sereia de Ariel. A pequena Sereia não tem nome, esse Ariel (pelas minhas curiosas pesquisas) surgiu em Shakespeare, num personagem masculino, portanto a Disney te enganou amigo. De uma sensibilidade ímpar, Andersen nos fala sobre o amor nesse conto "infantil". Do amor que uma Sereia desenvolve por um príncipe. Como em todas as histórias de amor, o encanto da Sereia pelo humano foi tão grande que não era suficiente observá-lo ao longe, ela queria mais (pobre Sereia pretensiosa como todos os enamorados).

Para realizar seu amor e se tornar "visível" para o amado, a Sereia vende sua imortalidade e sua voz. Ganha pernas e vai tentar conquistar o princípe. Qual não é sua surpresa e desencanto quando descobre que o princípe já estava enamorado de outra? Além disso, muda, ela não tem como expressar seus afetos (percebem o poder das palavras para os amantes?). Ganhou pernas, mas cada passo dado são com "mil agulhas a perfurar suas pernas". Agruras de Sereia, sofremos em silêncio com ela. Por fim, sem final feliz, a Sereia não pode mais voltar ao que era antes (uma vez marcado por um amor, quem pode?). Voltar para casa ilesa significa eliminar o amado, e ela recusa esse ato. O princípe se casa com outra, a Sereia vira "espuma do mar", protetora dos amantes. Esse é o fim da história que me deixou triste durante semanas quando tinha 12 anos, e ainda me deixa pensativa.

Essa é uma história de rejeição, como lidar com a não realização de um desejo tão grande que transforma sua vida, principalmente seu jeito de olhar para o mundo (diria que te leva para novos mundos). Eu recomendo a Pequena Sereia (o conto) porque ele nos ensina que o amor, embora nos tire do eixo, não precisa ser destrutivo. Ensina que a rejeição faz parte do processo de viver (e também não é uma boa idéia vender sua alma por amor rsrsrsrs).

Monday, October 27, 2008

Lésbicas masculinizadas sofrem o mesmo preconceito que gays afeminados?

Okay, sorry ja toquei nesse assunto uma vez, mas como ele me incomoda e como o texto é ÓTIMO e resume bem o que eu penso. Post it again!



Todos sabemos que o preconceito é algo doloroso, afinal, ainda convivemos em uma sociedade homofóbica. Porém, o fato de sermos discriminados não nos livra de discriminar um terceiro. Discriminação essa que muitas vezes é diminuída ou passa despercebida por acharmos que a violência e a ignorânica só vêm de quem é diferente. Pior do que sofrer preconceito de pessoas de fora da comunidade gay, é sofrer dentro dela....

No meio gay masculino podemos observar que existe uma resistência de aceitação aos chamados "afeminados". Mas e sobre meninas, elas sofrem o mesmo preconceito, mas de forma inversa? Pensando nisso, A Capa procurou algumas mulheres para falar sobre o tema.

Como em todo núcleo social, não diferente, o mundo dyke se divide em alguns grupos de convivência e de identidade, seja por gênero (mais masculina ou mais feminina), idade e classe social, estabelecido pelos próprios espaços de sociabilidade. A divisão por prática sexual (ativa, passiva ou relativa) ainda é presente em alguns segmentos. Segundo a antropóloga e pesquisadora na área de gênero e sexualidade Regina Facchini, 38, "no meio feminino, a questão de ser mais masculina ou mais feminina traça uma diferença fundamental. Há muita rejeição às 'masculinas' e 'ativas' em quase todas as idades e estratos sociais. Há também muita rejeição a casais formados por duas 'masculinas'".

Durante muito tempo, a sociedade tentou justificar a aparência masculina no mundo lésbico dizendo ser uma reprodução da heterossexualidade, onde o desejo por outras mulheres era explicitado assim, ou porque procuravam adquirir respeito dentro de uma sociedade machista. Por isso, no início dos anos 90, as novas parcerias entre femininas e femininas tornaram-se mais valorizadas, reafirmando o que já tinha sido defendido por ativistas glbts nos anos 70: uma mulher homossexual não precisava parecer com um homem para conseguir seu espaço.

Esse tipo de argumento ainda é muito presente no meio gay e você pode encontrá-lo de várias formas, intrínsecas em qualquer ambiente destinado às lésbicas, que se identificam de maneira diferente uma da outra. Este assunto tornou-se um tabu que vai além da sexualidade, ultrapassando os limites das discussões de sexo e de gênero. Um exemplo disso é a opinião da atriz Juliana Santos, de 23 anos: "Esse tipo de menina eu nunca fico, porque perde a feminilidade. Eu gosto das roupas e do jeito feminino, independente de ser bolacha. Odeio menina com roupa de menino e cabelo curto. Eu quero olhar pra minha namorada e ver uma mulher, independente do que ela seja ou goste."

Em contra-ponto, a guitarrista da banda The Dealers Marianne Crestani, 27 anos diz se identificar como "masculina" e gosta que a namorada também seja: "Eu sou casada e minha namorada também é bofe e é ótimo. Não rola aquele lance de desempenhar papéis. Nos outros relacionamentos que tive com meninas femininas me sentia na obrigação de ser o homem, o que era chatíssimo!"

"Acho que nossa sociedade preza demais o sexo biológico e espera que ele molde o comportamento, o jeito de se vestir e o modo de amar das pessoas. Muitas garotas de aparência masculina estão simplesmente mostrando sua identificação com atributos masculinos", diz Regina. "Isso não quer dizer que queiram ser homens ou que serão tão violentas quanto um homem machista pode ser em relação a sua companheira. O preconceito não leva em conta que é possível ser mulher e se identificar com a masculinidade. E que masculinidade pode ter vários sentidos para diferentes pessoas", completa.

Se identificar como masculina, ou não, passa do conceito cultural para o da identidade de gênero. É certo criticar ou excluir pelo jeito com o qual alguém se sente a vontade e livre? Se sentimos na pele como é ser discriminado, não vale a pena passar para frente o preconceito por outras vias. Da mesma forma que existem negros racistas, mulheres machistas e gays que não gostam de lésbicas, o homossexual homofóbico é uma (triste) realidade que devemos encarar de maneira mais política e menos caricaturizado. Desde quando se precisa de saia para ser mulher ou cabelo curto para ser homem? Não há limites para a busca da sua própria identidade. O importante, na verdade, é que as pessoas aprendam a respeitar todas as formas de amor, desejo e sexualidade, independente de concordarem ou não, pois falar em homossexualidade, assim como falar em heterossexualidade, não é falar em semelhanças, mas em diversidade. E a diversidade existe sim dentro da diversidade.

Saturday, October 25, 2008

“uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.”

Gente estava Fazendo uma pesquisa quando dei com este Texto e não resisti resolvi copiar.

depois de uma semana de experiência como doutorando na gineco/obstetrícia, eu já me sinto com a autoridade pra declarar:

convenhamos. buceta é legal. vagina é uma merda.

moças, com todo o respeito. durante todo o post, eu vou usar as duas formas de linguagem por meros motivos demonstrativos. não se ofendam. o termo é pesado, as almas mais puritanas podem se sentir ultrajadas. as que chegarem no final do texto vão entender a diferenciação.

a peça anatômica em questão é uma delícia - literalmente, inclusive. mas, como quase tudo na vida, levada à sério, sabe ser um problema.

eu adoro ginecologia, eu adoro obstetrícia. mesmo.

eu também adoro buceta, claro.

então, por que usar essa frase ofensiva, seu pervertidinho?

porque a diferença é clara.

a buceta, como órgão de lazer, é muito legal. socialmente, a buceta é apresentada limpinha, depilada, cheirosa. as calcinhas são bonitinhas, a apresentação é seguida de todo um cerimonial social, as finalidades são muito menos nobres e mais prazeirosas.

então, o que é uma vagina?

vagina é uma paciente de 79 anos chegar no consultório com queixa de ‘cheiro à peixe no corrimento acinzentado’ que escorre pela vagina. vagina é exame especular, é papanicolau, é toque vaginal.

engraçado. antes da g/o, pra mim, toque vaginal era ‘colocar um dedinho’.

a própria ida ao ginecologista, pra mulher, já deve ser um inconveniente. além de desconfortável, representa expor a intimidade feminina da forma mais escancarada possível - numa posição de frango assado, com uma toalhinha - tecnicamente, a ‘tenda’ - que impede a moça em questão de enxergar o que tá sendo feito lá embaixo.

antes do exame, se eu fosse mulher, eu já estaria apavorado. deitada a paciente, montada a tenda, só se escuta na sala um abrir-e-fechar de gavetas, barulhos metálicos, plásticos sendo rasgados, tilintar de vidro. é um preparatório dos infernos. eu, ali embaixo, sei o que tá sendo feito, o porquê do que está sendo feito, e sei que eu vou fazer doer o mínimo possível. mas, admito, é meio hipócrita encostar um espéculo (aquelas duas chapas de metal que o ginecologista coloca na vagina pra abrir o canal vaginal) gelado e pedir ‘por favor, relaxe’.

eu adoro atender mulher. gosto muito de g/o, pra mim até hoje é uma das possíveis opções de carreira. adoro o modo como tratar com mulher, sei ser simpático, sei como preservar a confidencialidade, até sei como tocar nos assuntos mais íntimos das formas menos constrangedoras possíveis. tudo do modo mais imparcial possível, juro.

mas, amigos, em verdade, vos digo: não pensem mal de mim por esse texto. todo médico - (a) também, importante frisar -, sabe se comportar de modo profissional. não quer dizer que a pessoa seja profissional o tempo todo na vida. eu entendo perfeitamente que a paciente tá ali, tem uma queixa, e eu devo e quero fazer tudo ao meu alcance pra resolver os deconfortos e aflições da dita cuja.

mas chegar no refeitório ao meio dia, logo depois das consultas, e fazer o comentário ‘cara, que cheiro de xexeca que tá aqui. tu também tá sentindo ou sou só eu?’ pra um bando de colegas minhas - mulheres, diga-se de passagem - é cruel.

e o engraçado é que elas concordaram.

é, amigo. homem ou mulher, médico - ou estudante de medicina - também sente nojinho. encara, mas não é obrigado a amar aquilo. a paciente é uma coisa - e merece todo o respeito e dedicação. o cheiro, as secreções, as texturas.. bom, isso fica pro consultório.

eu tou aqui, escrevendo sobre isso, porque eu acho importante saber diferenciar. ver uma vagina profissionalmente, e saber distinguir de uma buceta socialmente.

e, mais - uma mulher não é uma vagina. se foi procurar o ginecologista, tem uma queixa, não é motivo de vergonha nenhum. homem chega aos 50 e tem que procurar urologista pra fazer toque retal, criança na pediatria faz xixi na cara da gente, recém-nascido nasce cheio de cocô, proctologista vive de examinar ânus alheio. atire a primeira pedra quem nunca teve frieira e teve vergonha de tirar o sapato na frente de alguém por causa do cheiro a queijo.

o corpo tá aí, foi feito pra dar problema, e a medicina não passa de um curso de mecânica pra seres humanos. da apendicite à gonorréia, a gente aprende que o paciente é uma pessoa, tem suas queixas, e merece seu devido respeito. a doença é uma coisa, o paciente é outra completamente diferente.

e é por isso que é importante saber distinguir. vagina é vagina; buceta é radicalmente diferente.

senão, a minha vida social ia pro saco.

Texto do Dr. Thiago

Flor da neve e o leque secreto


Na verdade outra dica de leitura como já feito pro Elis.

Flor de neve e o Leque secreto por Lisa See


Um idioma mantido em segredo durante milhares de anos é o pano de fundo deste romance inesquecível sobre duas chinesas cujas vidas são marcadas pela amizade e pelo amor que as unem.

Esta história apaixonante e comovente se passa na China do século XIX, quando as mulheres tinham que se submeter à antiga tradição de bandagem dos pés para reduzir-lhes o tamanho e torná-las melhores partidos. Durante esse dolorido processo de embelezamento, que durava cerca de dois anos e, em algumas regiões, era iniciado quando as jovens tinham apenas seis anos de idade, eram obrigadas a viver em reclusão. O tamanho dos pés iria determinar o valor da mulher como esposa. Os pés pequenos seriam oferecidos aos futuros sogros como prova da disciplina e da capacidade para suportar a dor do parto, além de todos os outros infortúnios que poderiam aguardá-la.

Iletradas e isoladas do mundo, não era apropriado que pensassem, tivessem vontade própria ou demonstrassem emoções. No entanto, algumas mulheres falavam uma língua secreta entre si, conhecida como nu shu; a única escrita utilizada exclusivamente por mulheres que se tem notícia na história. Elas pintavam os caracteres nu shu em leques, bordavam-nos em lenços, e usavam a "escrita feminina" para compor canções e escrever histórias, saindo assim do isolamento para compartilharem seus sonhos e realizações.

Algumas jovens, consideradas especiais, eram unidas em pares numa aliança conhecida como laotong, algo tão importante quanto um bom casamento, mas realizado por escolha, tendo como objetivo o companheirismo emocional e a fidelidade eterna.

Em Flor da Neve e o leque secreto, somos levados por Lírio em uma viagem ao seu passado, o relacionamento com sua "velha igual" - como as laotong costumam ser chamadas -, os casamentos arranjados e as alegrias e agruras da maternidade. Até que um terrível mal-entendido escrito no leque secreto usado por elas ameaça separá-las. Com um detalhamento histórico e uma densidade emocional impressionantes, Lisa See aborda um dos mais misteriosos relacionamentos: a amizade feminina.

Fiquei encantada com a historia das meninas, li em 1 dia. e reli novamente. Emocionante, viciante, uma beleza e densidade emocional que chorei em diversas partes do livro. Dei este livro pra "patroa" ano passado ela gostou tanto que também leu, recomendou pra diversas amigas e todas sem excessão se apaixonaram pela história.
Comentar mais seria inútil e desnecessário. Apenas leiam.

Wednesday, October 22, 2008

Carol, ou o preço do sal

Hoje estou me sentindo como a personagem principal (Therese) do segundo livro de Patrícia Highsmith: vazia. Resolvi então falar sobre essa história inovadora, gostosa de ler e muito bem escrita. Highsmith por si só merece um post à parte, com a sua prosa seca, perversa, atrevida. Como se isso não bastasse, seu segundo livro tinha um tema tão "assustador" para a época que foi recusado. A solução foi lançá-lo usando um pseudônimo. O que é tão assustador em Carol? Uma história de amor entre mulheres, e um amor com final feliz, o que era incomum para a época (1953). Nossa Highsmith portanto, foi uma das pioneiras a escrever sobre o "delicado" tema.

Therese é uma jovem órfã, cenógrafa, funcionária de uma loja de departamentos em plena época natalina. Presa em sua rotina, a solidão que a cerca é tão profunda que torna a sua vida cinza. Mesmo o namoro com Richard é vazio, protocolar. Tudo em Thereze parece ser cinza, vazio e árido, até o surgimento de Carol.
Estonteante Carol. Loira, linda, aristocrática, aparentemente inacessível. Carol é a cor que Thereze buscava. Mas nem tudo é cor de rosa na vida da própria Carol. Casada com um homem que a trata como uma boneca para ser exibida, a vida rotineira de dona de casa é tão vazia de sentido quanto a de Thereze. Highsmith nos mostra dois pólos opostos: a pobreza e precariedade de Thereze, a riqueza de Carol, e duas vidas vazias de sentido.
A aproximação entre as duas é lenta, mas inexorável. Elas ganham cor juntas, ganham sentido. Thereze decide acordar para a vida, Carol decide se libertar do seu papel de boneca. O amor transforma, une, mesmo com os contratempos pelos quais as duas passam, e acreditem, torcemos até o fim para que o marido malvado de Carol saia de cena e deixe nossas heroínas em paz.
Quer um teco? Não resisti e procurei uma imagem da capa do livro em inglês, olha que lindo. Carol, de Patrícia Higsmith.


Tuesday, October 21, 2008

Visual que agride, casal equilibrado(?)


Bom, lá vou eu contanto histórias...
Certa vez estava no msn com uma amiga sobre como, às vezes, nos casais, os namorados ficam parecidos, até mesmo fisicamente, um com o outro.
Papo vai, papo vem...e eu resolvi procurar fotos de casais,aleatoriamente. Depois refinei a pesquisa para casais homossexuais e depois finalmente lesbicos.Deparei-me com essa foto ai. Achei o casal tãooooooo fofo. Mandei pra guria ver.
- Nossa, elas são parecidas. Mas não gostei do casal.Elas juntas são muito...são duas bofes juntas. Casal meio desquilibrado...
- Ué, mas vc não concordou que ás vezes os namorados ficam até fisicamente parecidos? Além do mais, que tem duas bofes juntas?
-Concordei, mas achei tao estranho elas duas...Prefiro casal composto por 1 menina mais mocinha e 1 mais machinho ou então as duas meio termo.
- Humm. Achei elas fofas...E isso que vc acabou de falar é realmente o mais comum. De fato não conheço nenhum casal com duas meninas mais masculinas.Também não conheço casal de “pintosas”.E sinceramente gostaria de entender o porquê...Nem Freud explica.Mas adorei ver o casal e saber que embora raros, bofes que amam bofes existam.
- Eu acho que o masculino tende a atrair o feminino, por simples adequação aos papeis sociais já existentes.
-Pode ser...eu particularmente adoro quebrar estereótipos.Adorei ver esse casal.
-o visual agride.
-Agride?
-É. As duas já devem sofrer preconceito por serem gays e sendo bofese ainda mais um casal de bofe...o visual agride mais do que se fosse um casal mais equilibrado...
- Ham entendo, mas acho que o visual agride só por serem duas meninas trocando afeto.
O papo continuou...Mas transcrevi a parte que interessa.Realmente não vejo casais assim com frequencia. Queria entender o proquê..Existe um preconceito entre os grupos (bofes, pintosas, ladys, ursos...) quem impede essa aproximação?creio que em parte sim.Existe preconceito da cultura heteronormativa que tendem a “encxergar” melhor um casal composto por um lado feminino e outro masculino? Também...mas acho que só isso não explica.
Com relação a aparência de casal...é..a “patroa” mudou bastante coisa em mim e eu nela. E estamos parecidas....